O Brasil convive com uma chaga social que a mídia esquerdista insiste em maquiar com o eufemismo “nem-nem”. A realidade, porém, é brutal e inescapável: o país tem mais de 8,1 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que não trabalham, não estudam e não frequentam nenhum curso de qualificação profissional – o equivalente a 17,5% da população nessa faixa etária. Esse contingente gigantesco supera a população inteira de Santa Catarina, que é de 7,6 milhões de habitantes. Não se trata de um problema conjuntural. É a materialização de uma cultura que premia a inércia.
A tentativa de romantizar essa condição é um dos maiores atentados à inteligência do brasileiro. O termo “nem-nem” foi cunhado para suavizar o que realmente acontece: milhões de cidadãos em plena idade produtiva optam pela inatividade, muitas vezes sustentados pelos pais ou pelo próprio Estado. Dados do Ministério do Trabalho mostram que, entre os jovens de 14 a 24 anos, são 6,2 milhões nessa situação, um contingente que cresceu 12,7% apenas no primeiro trimestre de 2026. O que explica esse fenômeno? Uma combinação perversa de educação precária, desalinhamento entre formação e mercado, e um sistema de assistência social que, em vez de empurrar para a frente, amarra o cidadão à dependência.
É preciso chamar as coisas pelo nome: o ócio, quando possível de ser evitado, é prejudicial. E o governo, ao financiar essa inatividade com programas sociais sem contrapartida efetiva, está comprando votos com o futuro do país. A conta é simples: cada jovem que não estuda nem trabalha deixa de contribuir com a Previdência, de gerar riqueza e de inovar. Em contrapartida, sobrecarrega o sistema público de saúde, a segurança e a assistência social. É uma bomba-relógio para as próximas décadas, agravada pelo envelhecimento da população, que reduzirá ainda mais a força de trabalho disponível.
A farsa da “inclusão”
O problema é ainda mais grave entre as mulheres – 22,8% delas nessa faixa etária estão nessa condição, quase o dobro dos homens (12,4%). E entre os jovens negros, o índice chega a 19,8%, contra 14% entre os brancos. A desigualdade é real, mas a solução não pode ser o assistencialismo paternalista que perpetua a miséria em troca de apoio eleitoral. Programas que distribuem dinheiro sem exigir qualificação, estudo ou contrapartida efetiva criam uma cultura de dependência que aprisiona gerações inteiras. Não é inclusão; é um sistema de compra de votos disfarçado de política social.
A saída é o trabalho, não a esmola
O Brasil precisa de uma virada de chave. Políticas públicas que estimulem o trabalho, a educação técnica e o empreendedorismo, e não a vadiagem. A qualificação profissional é a chave para tirar milhões da inatividade, mas isso exige um governo disposto a cobrar resultados, não a distribuir migalhas em troca de silêncio. A “geração nem-nem” não é uma fatalidade; é o resultado de escolhas políticas que priorizaram o curto prazo eleitoral em detrimento do futuro do país. Enquanto o Estado continuar sendo o grande provedor para quem tem plena capacidade de se sustentar, estaremos formando não cidadãos, mas súditos de um sistema que os quer dependentes e obedientes. O futuro do Brasil não será construído por um exército de 8 milhões de vagabundos, mas por uma juventude ativa, produtiva e comprometida com o próprio destino.

