O Brasil assiste, mais uma vez, a um espetáculo de hipocrisia institucional que desafia a inteligência do cidadão comum. O advogado João Henrique de Freitas trouxe à tona uma ferida aberta na nossa combalida democracia: a disparidade gritante de tratamento entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agiu com rigor implacável, barrando Bolsonaro de utilizar as dependências do Palácio da Alvorada e do Planalto para realizar suas tradicionais lives eleitorais. A justificativa? O suposto uso da máquina pública para benefício próprio. Hoje, em 2026, o cenário é outro: Lula transformou a residência oficial em um verdadeiro quartel-general de pré-campanha, com reuniões políticas e articulações partidárias escancaradas, sob o manto de um silêncio ensurdecedor da mesma Justiça Eleitoral. [1] [2]
Essa ausência de manifestação do TSE não é apenas uma omissão; é uma decisão implícita que aniquila qualquer resquício de segurança jurídica no país. Quando as regras mudam conforme o inquilino do poder, o que temos não é um Estado de Direito, mas um sistema de conveniências. Se em 2022 o uso de um fundo de parede branco dentro do palácio era considerado um crime eleitoral passível de punição severa, por que agora a transformação de todo o aparato estatal em comitê de campanha é tratada com tamanha naturalidade? A pergunta que fica no ar é: a lei no Brasil tem lado? Ou melhor, a balança da justiça está sendo pesada por mãos que já escolheram seu vencedor? [3]
A Morte da Isonomia e o Triunfo da Conveniência
A comparação é inevitável e dolorosa para quem ainda acredita na imparcialidade das instituições. Em 2022, o ministro Benedito Gonçalves foi rápido em proibir Bolsonaro de usar até mesmo o cenário dos palácios, alegando que isso conferia uma vantagem indevida ao candidato à reeleição. Agora, as notícias veiculadas pela revista Veja confirmam que o Alvorada é palco de estratégias eleitorais pesadas do PT para o próximo pleito. Essa seletividade jurídica é o combustível que alimenta a percepção de que o sistema está viciado. Como explicar ao eleitor que o que era proibido para um, hoje é permitido — ou solenemente ignorado — para o outro? Essa é a natureza seletiva das decisões que corroem a confiança popular e transformam o processo eleitoral em uma farsa previsível. [4]
Podemos traçar um paralelo direto com situações onde a “interpretação criativa” da lei é usada para blindar aliados e perseguir adversários. A ausência de decisão sobre o uso do Alvorada por Lula revela que a segurança jurídica no Brasil tornou-se um conceito elástico, esticado até o limite para acomodar os interesses da atual gestão. Onde estão os fiscais da lei que, há dois anos, viam abuso de poder em cada gesto da oposição? A seletividade não é apenas uma falha; é uma ferramenta de poder. Quando o árbitro do jogo começa a ignorar as faltas de um time enquanto expulsa os jogadores do outro por infrações mínimas, o campeonato perde sua legitimidade. [5]
O Abismo da Insegurança Jurídica
O que está em jogo não é apenas o uso de um prédio público, mas o futuro da liberdade política no Brasil. Se o TSE permite que o Alvorada se torne o QG de Lula sem qualquer questionamento, ele está assinando o atestado de óbito da isonomia eleitoral. A segurança jurídica exige previsibilidade; o cidadão e o político precisam saber o que é permitido e o que é proibido de forma clara e igualitária. O que vemos, no entanto, é um abismo onde a interpretação da lei depende de quem está sentado na cadeira da presidência. Essa postura revela uma fragilidade institucional perigosa, onde o direito é substituído pela vontade política de quem detém o controle das cortes. [6]
A história cobrará caro por esse período de trevas institucionais. O silêncio da Justiça Eleitoral diante do uso escancarado da máquina pública por Lula é um convite ao abuso e uma afronta a todos os brasileiros que ainda esperam por um jogo limpo. Não se trata de uma crítica vazia, mas de um fato verificável: a regra de 2022 não vale para 2026. E essa mudança de regra no meio do jogo é o sintoma mais claro de uma democracia que respira por aparelhos, asfixiada pela parcialidade de quem deveria ser seu guardião. Onde termina a política e começa a justiça? No Brasil atual, essa linha parece ter sido apagada definitivamente. [7]
Referências:
[1]: https://www.conjur.com.br/2022-set-24/tse-determina-bolsonaro-nao-grave-lives-planalto/
[3]: https://veja.abril.com.br/politica/o-alerta-do-governo-lula-para-evitar-acoes-da-oposicao-no-tse/

